... precisamente quem advoga,
considerado, porém, sujeito ativo da atividade.
[...]
Em contraste nítido com advogado — que vem a ser aquele que é chamado a advogar — entetanto, em estreita conexão com este, advocante carrega em si um papel proativo.
Implica, já no título, a iniciativa que o caracteriza. Conquanto ele possa ser chamado
a advogar — e certamente o fará, se o contrato devido estabelecer-se — ele é, desde
já e por natureza, um iniciador de providências.
Hmmm! Você pode estar-se indagando sobre a legitimidade do termo. Assim,
em sua atenção, seja desde logo esclarecido que "advocante" é um neologismo.
Não vou aqui reclamar a paternidade da criança, pela razão simples seguinte: vai
que algum outro lusófono já a tenha concebido e me verei em maus lençóis... No entanto,
seja também digno de nota que esse termo — advocante — bem
como seu colateral, advogante, com
a mesma neológica significação, eu já os tinha proposto em universidade lá pelos
ídos de 1999. Bem se vê: trata-se de remissão respeitosa ao... milênio passado. Coisas de transição.
Como se deu a minha gênese para advocante?
Assim. Era o ano de 1999, já o disse, e eu quis saber da etimologia de advogado. Queria mais que a mera retrospectiva
etimológica, curiava também por nuances semiológicas mais amplas.
Por que advogado — indagava-me intimamente — já que a origem
latina do étimo elucidava muito da questão? Com efeito, "advogado" vem-nos
do latim advocare (ad + vocare = falar junto [ou em favor] de
alguém, esse alguém, por suposto, o cliente do advogado). É forma
participial passada.
Advogado é, assim, aquele que é chamado (por alguém, naturalmente)
a prestar assistência ou ao seu invocante ou a outrem, em questões da lei.
E, assim, tudo retoma o sentido original da pergunta. Por que advogado?
Invoco — auxílio no mister — atacante versus atacado, comunicante versus comunicado e predicante versus predicado. Que têm eles a ver com isso?
Ora, advocante está para atacante (comunicante, predicante etc.) assim
como advogado está para atacado (comunicado, predicado etc.). Todos
os primeiros carregam a primazia da atividade, os segundos, o cerne da passividade.
É certo que, dada a complexidade do fenômeno linguístico, passe a haver um como que açambarcamento, um assenhoreamento
de significações, de modo que certo termo, cujo significado seja um originariamente,
passe a ser (ou ter) também outros consequentemente. Isso se deu com advogado.
Assim, ao postular advocante (também advogante, advogador etc.), não estou apenas exercitando vernáculo.
Passeio pelas ricas searas da semiologia, do ousar humano, proponho cultura, provoco
cultura, crio cultura...
Coisas de advogado. Melhor — e em tempo — coisas de advocante...
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